| Quando chove no sertão a natureza desperta o trovão estala forte que o coração se aperta a terra toda brotando a passarada cantando numa alegria sem par o rio como uma cobra correndo fazendo dobra até o encontro com o mar O raio clareia a noite expulsando a escuridão a terra exala seu cheiro anunciando a plantação a seca fecha a cortina o verde cobre a colina no mais belo esplendor é um quadro sem defeito que só poderar ser feito pela mão do criador O Peixe nada ao contrario da correnteza do rio o vale vira um tapete de capim verde e macio borboletas e beija-flores ficam fazendo favores aumenta a fecundação e as flores se multiplica é isso tudo que explica que há chuva no sertão |
Qualquer pessoa se encanta admirando o painel abelhas levando o necta para fabricar o mel besouros a zumbizar um aqui outro acolá não se sabe de onde vem isto tudo me comove só pode ver quando chove as coisas lindas que tem Os bezerros escramuçando logo que amanhece o dia o João de barro começa a fazer sua moradia o cavalo relinchando e o orvalho molhando quem entre o mato passar ali tudo recomeça o capim nasce com pressa pro gado se alimentar A brisa corre entre o pasto traz o cheiro da alfazema a folha nasce ligeiro de verde cobre a jurema melão Caetano surgindo a gitirana subindo vai abraçando o mourão e o sertanejo animado cedinho vai pro roçado começar a plantação |